"Melhor acabar em amor do que em dor, não?" - foram as últimas palavras proferidas por aqueles lábios tão ressecados quanto os dela. Beijou-a na boca. Se afastou com relutância e caminhou até a porta, virando-se uma última vez e deparando-se com a bagunça que a menina era, tão adorável bagunça que ele não pode conter um último sorriso antes de caminhar pela porta.
Ela ainda se olhava no espelho e mais lágrimas abriam caminho pelo seu rosto, aquele último sorriso era o que mais doía dentro dela. Doía mais que a ausência, mais que as noites abafando gritos no travesseiro e de certo, doía mais do que as ações que renderam-lhe aquelas marcas esbranquiçadas nos pulsos.
Ela ainda se olhava no espelho e mais lágrimas abriam caminho pelo seu rosto, aquele último sorriso era o que mais doía dentro dela. Doía mais que a ausência, mais que as noites abafando gritos no travesseiro e de certo, doía mais do que as ações que renderam-lhe aquelas marcas esbranquiçadas nos pulsos.
Fechou os olhos e lembrou. Lembrou do cheiro de cigarro do apartamento de Rafael, da mania de morder o garfo enquanto comia e lembrou também das declarações feitas em inglês em meio a risadas roucas e abafadas pelos lábios dos dois se encontrando. As lágrimas já não pediam licença, invadiam seu rosto de forma brusca.
Ainda de olhos fechados, abriu a gaveta da estante e pousou os dedos finos sobre o único papel que havia lá dentro. Levou-o até o nariz e inalou inalou inalou. "Seu cheiro é melhor do que cheiro de gasolina".
Segurou-se no móvel com mais força para não cair, a visão ficara turva e as pernas começaram a tremer. Abriu os olhos e se deparou com uma mulher patética, tinha os olhos inchados e segurava um pedaço de papel como se fosse a jóia mais preciosa do mundo - digna de pena.
Lembrou-se da tarde em que sua campainha - depois de muito tempo em silêncio, num luto respeitável- tocou, um som brusco que fez sua pele se arrepiar e seus músculos se contraírem. Abriu e analisou a figura parada diante dela. O homem possuia uma expressão triste e segurava em uma das mãos um envelope, envolvido pela manga de seu terno. Entrou, sentou-se no sofá e contou. Contou como havia tocado a campainha do apartamento de Rafael incessantemente e percebeu que a porta estava aberta. Contou como entrou chamando seu nome e quando chegou à porta do banheiro se deparou com um corpo pendurado pela gravata em um dos canos que atravessavam a parede. Contou como encontrou uma carta dentro do bolso de sua calça.
Ela cerrou os lábios e voltou a se concentrar na imagem do espelho. Estava sozinha na casa apesar de não parecer: as paredes eram Rafael, o piso era Rafael, cada móvel da casa era Rafael. Apertou seus lábios com força, freando as lágrimas e observou o papel, não havia nada além de uma frase.Ainda de olhos fechados, abriu a gaveta da estante e pousou os dedos finos sobre o único papel que havia lá dentro. Levou-o até o nariz e inalou inalou inalou. "Seu cheiro é melhor do que cheiro de gasolina".
Segurou-se no móvel com mais força para não cair, a visão ficara turva e as pernas começaram a tremer. Abriu os olhos e se deparou com uma mulher patética, tinha os olhos inchados e segurava um pedaço de papel como se fosse a jóia mais preciosa do mundo - digna de pena.
Lembrou-se da tarde em que sua campainha - depois de muito tempo em silêncio, num luto respeitável- tocou, um som brusco que fez sua pele se arrepiar e seus músculos se contraírem. Abriu e analisou a figura parada diante dela. O homem possuia uma expressão triste e segurava em uma das mãos um envelope, envolvido pela manga de seu terno. Entrou, sentou-se no sofá e contou. Contou como havia tocado a campainha do apartamento de Rafael incessantemente e percebeu que a porta estava aberta. Contou como entrou chamando seu nome e quando chegou à porta do banheiro se deparou com um corpo pendurado pela gravata em um dos canos que atravessavam a parede. Contou como encontrou uma carta dentro do bolso de sua calça.
Ouve um grito, e depois, silêncio.
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