terça-feira, 25 de junho de 2013

reticências

uma breve interrupção
ou um fim, permanente como é?
um passado escrito em dias corridos,
composto por "bom-dias"
e corrompido por palavras afiadas.

não chora!
tuas lágrimas escorrerão
e se perderão eternamente
num mar de cobertas bagunçadas
que vivem se soltando de colchões de plástico.
já eu, estarei viva.
coração batendo, sangue correndo,
e a vontade de viver maior que nunca.
meus planos envolverão-te,
amplos, do tamanho dessa cidade.
e eu voltarei, cedo ou tarde,
com a voz mansa,
quem sabe um sotaque diferente,
mas a mesma de sempre.
mesmas manias.
mesmos problemas.
mesmo amor - senão maior.

as estradas nunca mudam,
meu caminho está traçado,
tinta vermelha no chão cinza.
nada é permanente.

mesmo as árvores,
fincadas no chão,
acompanham a direção do vento.

todos temos vontade de voar.

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