terça-feira, 26 de julho de 2016

começo
sem saber por que parei.
sem saber o que dizer,
se é certo sentir
tudo que tenho no peito.

começo
sem pensar em parar.
sem o rubor na face magra
fazendo-me colocar tudo-
dor, amor -
debaixo do tapete.

começo
na intenção de prosseguir:
mandar as coisas para outro nível,
me levar a sério nessa brincadeira
que há 22 anos criei.

começo
pensando no que me impede de começar.

começo
encarando o monstro que ousou me cegar.

eu vejo uma luz!
ela brilha forte,
como se todos os faróis da radial
estivessem apontados para mim.

eu sou a luz no fim do túnel
eu sou a última gota
eu sou a tentativa desesperada
de quem somente soube errar.

é como se eu nunca tivesse feito isso...

é como se eu não soubesse,
na verdade,
nem por onde começar!

passos em falso,
um pano sobre os olhos,
teus braços embrulhando meu corpo
e a certeza de que
um dia,
finalmente!
depois de tanto tempo
chegarei lá.

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